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O vidro é sólido ou líquido?

Como o vidro é obtido através do resfriamento instantâneo de líquidos superaquecidos até o ponto de rigidez sem que haja uma cristalização do material, não pode ser considerado sólido. Para ser sólido teria que apresentar estrutura cristalina definida, o que não é o caso dos vidros. Sendo assim, podemos considerar o vidro como sendo um líquido com altíssima viscosidade.

O vidro polui a natureza?

O Vidro é um material 100% natural. O surgimento do vidro se deu há milhares de anos por ação da natureza. Alguns relatos contam que surgiu depois que um raio provocou fogo e gerou a fusão natural da areia e outros minerais; outra versão de historiadores da antiguidade é que navegadores fenícios, ao deixarem acesas fogueiras construídas em “pedras” de carbonato de cálcio sobre a areia de uma praia provocaram a fusão e, assim, descobriram o vidro.

Todo vidro pode ser reciclado?

Não. Espelhos, vidro de automóveis, tubos de TV, vidros temperados, lâmpadas fluorescentes e fibra de vidro possuem, além do vidro puro, algum tipo de material em sua composição que inviabiliza a sua reciclagem.

O vidro ocupa muito volume nos lixões e aterros sanitários?

A embalagem de vidro é reutilizável pelo consumidor, por exemplo, para guardar pequenos objetos; é retornável para o fabricante do produto envasado e é reciclável, apresentando, portanto, várias opções para não ser descartada. Talvez por isso, o volume de vidro em geral no lixo urbano não seja tão elevado. No Brasil, por exemplo, o vidro corresponde a cerca de 3% dos resíduos urbanos. Em São Paulo, o peso do vidro no lixo corresponde a apenas 1,5% do total.

O vidro é prejudicial ao meio ambiente por que demora mais que outros materiais para se degradar?

Caso a embalagem de vidro – apesar das opções de aproveitamento e reciclagem - seja deixada, de forma indevida, no meio ambiente, ela não libera resíduos contaminantes no solo ou nos lençóis freáticos. A degradação química e a erosão física do vidro são realmente muitíssimo lentas, mas não liberam substâncias tóxicas. E como o vidro é um mineral não-metálico inerte, não reage com outras substâncias provocando riscos ambientais. Além disso, trata-se de um material inorgânico e incombustível, por isso não produz alterações biológicas ou de contaminação da atmosfera quando é incinerado.

O vidro pode ser reciclado apenas uma vez?

O vidro pode ser reciclado infinitamente, seja fundindo-o com uma parte de matéria-prima virgem, seja fundindo somente cacos de vidro. Apresenta excelente desempenho no processo de reciclagem, sem perda de volume. Com um quilo de cacos de vidro, pode-se fazer um quilo de vidro novo.

As embalagens retornáveis têm vida curta, não são higiênicas e não compensam ao fabricante?

As principais indústrias de refrigerantes e cervejarias de todo o mundo utilizam embalagens retornáveis para envasar seus produtos. Há notícias de que essas embalagens podem ser reutilizadas mais de 30 vezes, passando por sistemas modernos de limpeza e esterilização. A possibilidade do retorno da embalagem de vidro reduz o preço dos produtos e garante menos lixo para o futuro. Em geral, são destinadas para reciclagem quando não apresentam mais condições de uso.

Reciclar vidro é muito caro?

Reciclar vidro é mais econômico do que produzir vidro de matérias-primas virgens, menos por causa do preço destas, e mais porque se usa menos energia no processo. A energia economizada com a reciclagem de uma única garrafa de vidro é suficiente para manter acesa uma lâmpada de 100 W por aproximadamente quatro horas.

A embalagem de vidro é mais cara do que as embalagens produzidas com outros materiais?

De acordo com o uso, a embalagem de vidro pode ter custo muito baixo. Se for uma embalagem retornável, por exemplo, o custo para o fabricante do produto envasado vai depender do número de vezes que a embalagem for reaproveitada, podendo chegar a 1/30 do valor de compra. Caso a embalagem seja reutilizada pelo consumidor, também terá esse valor agregado. Como o vidro é considerado uma embalagem nobre, o consumidor tem a percepção de que o produto tem maior valor, o que acaba se refletindo em margem de ganho mais elástica para o fabricante e o distribuidor do produto envasado.

O Brasil recicla muito pouco vidro em relação a outras embalagens como latas de alumínio?

O Brasil recicla anualmente cerca de 390 mil toneladas de embalagens de vidro e 112 mil toneladas de latas de alumínio. Mas, o percentual de reciclagem das latas de alumínio atinge aproximadamente 90% do total produzido, enquanto que todos os tipos de embalagens de vidro alcançam 45%. Contudo, as embalagens de vidro têm a vantagem de serem retornáveis ou podem ser reutilizadas pelo próprio consumidor. Assim, pode-se concluir que as embalagens de vidro têm um aproveitamento geral bastante elevado. Não é à toa que na Alemanha, um dos países mais sensibilizados com as questões ambientais, o consumo total de vidro atinge quase 3 milhões de toneladas, dos quais 86% são reciclados. Não se pode esquecer, também, que por ser um país com renda elevada e coleta seletiva, a reutilização de embalagens é bastante baixa na Alemanha, o que não ocorre em países como o Brasil, onde embalagens de vidro são bastante reutilizadas.

 

Curiosidades

O vidro que veio do céu

Fusão da areia causada por raio pode resultar em vidro. Existe um vidro natural chamado fulgurita, cuja origem se atribui a raios que tenham caído em solos de região desértica e arenosa com grande presença de sílica. A sílica, ou óxido de silício, é o principal componente dos vidros comuns e é, também, a substância mais abundante na crosta terrestre.

Vidro e energia

Ao reciclar uma garrafa de vidro é economizada energia suficiente para acender uma lâmpada de 100 W por quatro horas.

Vidro e resistência

O vidro leva cerca de 4 mil anos para se decompor na Natureza.

O vidro no Brasil

Por aqui, a primeira oficina de vidro foi montada por quatro artesãos, que acompanhavam Maurício de Nassau, no período das invasões holandesas, entre 1630 e 1635. A região escolhida, claro, foi Pernambuco. A oficina fabricava copos, jarras, frascos e vidros para janelas, mas, infelizmente, não teve vida longa. Quando os holandeses foram expulsos, pois foi fechada com a saída dos holandeses das terras brasileiras.

O ano era 1810, quando o vidro voltou ao Brasil de maneira mais efetiva. Surgia a primeira fábrica de vidros, junto com a chegada ao País da Família Real Portuguesa.

Já em 1861 aconteceu a “1ª Exposição Nacional de Produtos Naturais e Industriais”, um evento promovido pelo governo imperial no Rio de Janeiro para mostrar aos estrangeiros que o Brasil não produzia só açúcar, café, algodão, cacau, couros e carnes salgadas. Ali foram exibidas garrafas, garrafões, frascos e globos para lampiões. Vidros e mais vidros, feitos totalmente por aqui. 

Foi só em 1895, que nasceu em São Paulo a Companhia Vidraria Santa Marina, que mais tarde se associaria ao Grupo Saint-Gobain e que deu origem ao que é hoje a Verallia.

Vidro e velocidade

Quando um vidro se quebra, os caquinhos se espalham a uma velocidade superior a 4.900km/h.

Vidros e óculos

As primeiras lentes corretivas para a visão surgiram no século I d.C. Essas lentes eram feitas com pedras semipreciosas. Os óculos mais parecidos com os que conhecemos hoje, só surgiram em 1270, na Alemanha. Os óculos, com aros de ferro e unidos por rebites, ainda não possuíam hastes fixas.

No século XVII, foram inventados os óculos com suportes nas orelhas. Robert Grosseteste e Roger Bacon criaram os primeiros óculos modernos, mas foi Benjamin Franklin, em 1785, que inventou os primeiros óculos bifocais para enxergar de longe e de perto.

Microscópio

Os primeiros microscópios simples, limitados à ampliação de uma única lente, foram construídos na metade do século XV e utilizados inicialmente para investigar o mundo dos insetos.

Por causa da dificuldade em produzir vidro puro na época, as lentes dos microscópios distorciam as imagens e contornavam-nas com halos e espectros de cores. Em 1590, o holandês Hans Janssen e o seu filho, Zacharias, montaram o primeiro microscópio. Era composto por uma objetiva de lente convexa e uma lente (de luneta) côncava.

Outro holandês, Anton van Leeuwenhoek (1632-1723), trabalhava numa loja de tecidos e, nas horas vagas, fazia experiências com vidro moído para produzir lentes.

Ele usava o microscópio para observar os fios e depois passou a examinar a anatomia dos menores animais conhecidos. Ele produziu microscópios tão eficientes que estabeleceu, praticamente sozinho, o ramo da microbiologia.

Vinho

A utilização de garrafas de vidro para armazenar vinho só começou no século XVII.

Cristal

O "cristal" como é conhecido aquele tipo de vidro mais transparente e de aparência nobre, na verdade não é um cristal. Cristais são substâncias cujas moléculas se dispõem de maneira ordenada umas com as outras, como, por exemplo, pedras e metais. A denominação, no entanto, foi empregada para diferenciar um tipo de vidro, inventado na Inglaterra, no século XVII. Os fornos das vidrarias da época eram alimentados com madeira e para economizar esse material, se buscou produzir um vidro que fundisse a uma temperatura mais baixa, o que foi conseguido com a adição de chumbo. Ao mesmo tempo, se obteve um vidro mais cristalino, maleável e de fácil lapidação, que passou a ser conhecido como "cristal ao chumbo". Hoje é diferente. Os chamados cristais não são mais vidros adicionados de chumbo. Novas tecnologias de polimento permitem a fabricação de um vidro limpo, claro e cristalino, sem adição de metal pesado, com a mesma beleza do "cristal".

Tipos diferentes de vidro

O vidro de uma janela, de uma garrafa e de um bulbo de lâmpada não tem diferenças acentuadas na sua composição. As diferenças ocorrem é no processo de produção.

O maior vidro do mundo

A maior peça de vidro feita pelo homem até o presente é a base de um espelho de telescópio, instalado no Cerro Pantanal, nos Andes chilenos. O telescópio está em operação desde maio de 1998 e a peça de vidro tem diâmetro de 8,2 metros, espessura de 17,7 centímetros pesa 23 toneladas. Para evitar que a peça trincasse durante o seu resfriamento, devido às tensões mecânicas, o vidro foi esfriado de forma controlada de 800 graus C até a temperatura ambiente ao longo de 3 meses e meio.